terça-feira, 8 de julho de 2014

Não Funciona

"Cause If one day you wake up and find your missing me
and your heart starts to wonder where on this earth I could be
Thinkin maybe you'll come back here to the place that we'd meet
And you'll see me waiting for you on the corner of the street
So I'm not moving, I'm not moving" (The Script - The Man Who Can't Be Moved)



O corpo treme como se estivesse em uma festa gigantesca. Os olhos choram o suficiente pra encher um balde de mil litros. Eu sei lá como tenho estado, numa espécie de eutanásia emocional. Acho que tenho aprendido muito desde o começo deste ano, com tantas coisas acontecendo. E ontem, eu aprendi que eu errei. Eu sou diferente dos demais, realmente, erro mais que eles. Eu piso na bola pra caramba até acertar alguma coisa, eu meio que me faço de medíocre. Mas, apesar de tudo, estou com as mãos atadas. Como se eu estivesse preso numa parede e alguém estivesse ali me espancando, me torturando.


Não conseguem, não enquanto as feridas forem só minhas. Aquele sorriso lindo não pode e não vai ser afetado, eu não vou deixar. Quando eu encontro algo que posso chamar de real, algo que eu conquisto, algo que eu sempre procurei, eu vou lá e estrago tudo. Acho que agora sei quem tá me torturando, eu mesmo. Minhas motivações estão tudo embaçadas, como se fosse um grande vidro frente ao frio. Meus ideais, dos quais eu sempre me orgulhei, eu pisei neles. Eu não gosto do que eu me tornei. Eu não gosto do que eu criei.


Por favor mundo me tira tudo que fez eu ser assim, tira toda a minha cabeça. Droga, se eu tivesse ouvido eu mesmo. Agora estou preso numa âncora, me afogando cada vez mais, e acho que dessa vez, ela não vai me dar a mão. É culpa somente minha, como sempre foi durante dezessete anos. Eu sempre peço chances, como se fosse a droga de um videogame, pra ver se eu acho um jeito de ser perfeito. Mas eu acabo sempre pisando nos meus cadarços, como se fosse mero perdido. Pois sou. Nada sou sem ela.


Volta e meia eu acabo falando dela. Dos lábios que eu adoro procurar. Do sorriso mais perfeito, não existe alguém que sorri daquele jeito. Do olhar que me faz viajar, do abraço apertado que é meu lar. Eu poderia fazer um texto inteiro só sobre o jeito dela e ela. Tipo, ela é apenas, perfeita. Ela é aquela que consegue me dar uma boa  noite de sono, ela é aquela que me faz sorrir a cada mensagem. Ela é aquela que me faz o coração bater a cada dia. Ela é o maior símbolo para minha motivação, ela é o motivo que eu continuo andando, que eu tento caminhar lá na faculdade.


Tenho batido a cabeça na minha parede, com a esperança de que ela sangre. Eu tenho sido um idiota completo para com ela, tenho sido um cretino que eu jurei nunca me tornar. Eu tenho vontade de morrer. Se ela lesse isso provavelmente iria ficar com raiva, ela odeia quando eu digo de morte. Bom, mas é verdade. Eu tenho vontade de morrer. A cada segundo que ela fica mal, a cada lágrima, eu me destruo com a maior facilidade do mundo. Sou um  tipo de bomba-relógio que segue o ritmo do coração dela.


Agora tô aqui, me despedaçando, me apedrejando. Ela sabe que eu sou péssimo nesse negócio de relacionamentos, e eu tenho aprendido muito, consegue ver o céu nublado? Acho que eu também. Eu meio que não consigo mais passar um dia de bom humor, adianta algo? Adianta eu tentar ser feliz se eu joguei minha felicidade fora? Se eu a fiz chorar, de novo, quando prometi a ela que nunca mais eu iria fazer isso? Como posso merecer caminhar se ela não caminharia ao meu lado, como posso respirar sendo que eu não mereço isso?


Mas hoje, me diz que eu posso roubar você de novo, me diz que eu posso ter mais uma chance, me diz que ainda não é game over. Eu não sei agir perto de você, eu não sei se faço tal coisa ou faço outra coisa, e minhas mãos estão cheio de sangue. Acredite, eu errei demais, nossa, eu pisei na bola tantas vezes que eu acho que sou o mestre de erros, o mestre de decepcionar as pessoas. Mas me diz que teu coração não quer me deixar, me diz que me ama. Pois eu te amo. Eu te amo. Acho que eu meio que não funciono sem você. É só isso.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Misto

"girl, you are like summer rain
soft and warm and delicate
and i am a foolish boy
tryin' to catch every drop of you on my tongue..
but there's just too many
and i can't get enough.." (Jason Reeves - Reaching)



Eu precisava fazer algo sobre isso, mas o que? A cabeça coça, a dor de cabeça é a única canção que toca no último volume. Ela provavelmente está super com raiva de mim, apesar de eu ter errado com as melhores intenções. Droga, ela devia saber que eu sou péssimo em relacionamentos. Juro pra Deus que apesar dela estar assim, eu nunca vou soltá-la tão cedo. Não sou covarde a ponto de deixá-la ir, não a ponto de a deixar sozinha. Nunca, jamais, aquelas lágrimas jamais serão apenas dela. Essas lágrimas são a chuva daqui de casa, e apesar de eu não perceber, eu me enxarco.


Ela disse que não faria nada pra comemorar, fora motivo da nossa briga, de eu não permitir as pessoas interferirem nas nossas vidas. Eu estava com a cabeça a mil, números e números que nem percebi o maior número, 30 dias se aturando. Maldito, por que fora tão cabeça dura, por que ser tão egoísta, quando aquele olhar lindo só queria algo pra fazer pra tu gostar? Só queria fazer mais do que já faz, só queria voar mais alto. Ah cara, que ódio de cometer um deslize tão escroto desses. Eu sou o cara mais errado que ela podia querer, mas droga, mas acontece que eu to apaixonado. Amo ela.


Ah,ela. Quantas garotas já descrevi aqui com centenas de palavras diferentes sendo que tudo o que eu procurava era dizer eu te amo pra garota certa. E cá está a moça dos meus sonhos. Essa garota, que faz um mês que tá me aturando hoje. Quer dizer, espero que ainda esteja. Essa garota, tem estado no meu mundo como se fosse alguma plantação, que se instalou e nunca mais saiu. Ela tem o controle das minhas coisas, e as minhas coisas, me controlam. Droga, não pensei que fora tão forte. Ah que se dane, foi o que eu pensei quando eu a vi pela primeira vez.


E hoje eu falo, "Ah que se dane!", pro mundo! Estive tão cansado de voar, de tantas turbulências, de tantos tiros nas minhas asas, que cansei de me ferir em nome de outros, em lutar por batalhas que não são minhas. Eu a encontrei com aqueles olhares brilhantes (que eu ainda acho que combinam mais com um óculos), com aquela típica franja (acho que ela não respiraria sem), e com aqueles lábios sendo mordidos levemente com seus dentes. Uma imagem do céu. Se bem que acho que o céu é uma imagem dela.


Eu me apaixono por ela todo dia, como se fosse algum tipo de praga. Não é que eu não goste, é que eu acabei me acostumando e acabei percebendo. Que todo dia é diferente, mesmo eu querendo que fosse igual. Que todo dia eu penso numa maneira diferente de a conquistar, mesmo sabendo ela conhecendo todas as minhas maneiras de falar com ela. E todo dia, eu canto alguma canção aleatória, mas sempre acontece de uma delas dizer tudo o que eu queria dizer pessoalmente de novo e de novo pra ela sempre que ela quisesse: "Eu te amo".


Eu passo o meu tempo criando as nossas vidas, como se fossem marionetes (vergonhoso e ridículo), mas é que meus planos ultrapassam os danos, eu voo numa intensidade como se não houvesse limites. E não há. Não há nada que veja horizontes perto de você. Pois não há. O horizonte está guardado na batida do teu coração, no teu sorriso. Você é aquela canção favorita que coloco sempre quando a fita enrola e eu tenho que arrumar com alguma caneta. Somos aquele pedaço de pão partido ao meio, mas dividido exatamente igual. Não mereço, mas gostaria de um perdão.


Eu choro. Ela não está completamente brava, mas também não está de bem completamente. E tem algo de errado, e esse errado sou eu. Existem tantas coisas que ela me perguntaria que eu não saberia responder, e tem tanta coisa que eu responderia e ela não saberia perguntar. Tudo o que eu tenho é um punhado de palavras, uma mista de coisas que acho que ela vai demorar pra entender. Mas o que precisa retirar desse texto todo é que eu a amo, de um modo anormal, porém natural, de um modo simples, porém complexo. Eu procurava um lugar, e esse lugar é você.


Ela é como se fosse o reflexo do mar mais bonito, o mais perfeito, transformado em seu olhar. O sol parece uma completa imitação para seu sorriso. E aquela voz com a falha no "R" é tudo o que torna mais fofo, como se fosse aquele arranjo que faltava na canção mais bela. Cinquenta parágrafos não serão suficiente pra demonstrar o quanto ela é perfeita. Muitos a condenam, eu a endeuso. Muitos a destroem, eu a conserto (da maneira mais confusa possível). E hoje é aniversário de um mês de namoro. Aparentemente ela não se importa. Ou sou eu que fiz bagunça.


E com um giz, eu escrevo no chão, como se fosse meu caderno de arte. Desenho a gente, num mundo que a gente pode criar o que quiser, inclusives sabres de luz, por que sabres de luz são coisas legais, e sua mão está colada a minha com a cola mais forte possível. Você não se importa. Eu também não. Até que a gente funciona, quando um idiota não faz besteira, e por querer proteger, acaba machucando. Esse texto é um misto de "me perdoa" com "feliz 1 mês de namoro". Espero que entenda, é um misto.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O Médico e o Monstro

"I'm only a man with a candle to guide me
I'm taking a stand to escape what's inside me
A monster, a monster
I've turned into a monster
A monster, a monster
And it keeps getting stronger" (Imagine Dragons - Monster)




Minhas mãos deixam escorrer sangue fresco. Minha mente se ofusca perante a mera quimera que é o tempo mundano. Eu me deixo ir de repente, como se fosse mero detalhe. Este detalhe, de repente toca o chão depois de tanto viajar pensando em seus sonhos e convicções, como se fosse um balão cheio de ar. Eu pensava que seria fácil crescer, eu pensava "como é perfeito ser adulto, sem ninguém pra te mandar, ter a liberdade de fazer o que eu sempre quis fazer", mera ilusão de um garotinho engenheiro de sonhos. Eu pensava que se podia ter tudo o que quisesse, só não sabia que precisava merecer.


Pobre de dinheiro, rico de alma. Colecionei viagens só pra depois descobrir que o melhor lugar do mundo é minha casa. E as pinturas e reformas são apenas para fazer pessoas sentirem inveja de umas as outras, como se isso realmente importasse. Tudo o que importa, é apenas o calor e o aconchego de dentro da casa, o sorriso do pai, a serenidade da mãe, as piadas horríveis do tio, a reclamação da tia, aquela calmaria mesmo tendo uma tempestade lá fora. Eu pensava que esses dias não importavam muito, até eu perceber como é frio ficar sozinho pra fora.


Humanos são tão dependentes de uns aos outros, até parece que somos "racionais". Deixo que o coração pulse forte. Eu amarro as correntes de novo, com a esperança que não se despedacem como da última vez. O médico me entorpeceu, mas não vai adiantar dessa vez. A razão já se fora, me tornei um pesadelo vivo. Um monstro nasce, um alguém sem escrúpulos e com apenas uma sede insana de levar todos os que deixaram marcas para as chamas gritantes do inferno. Pensava que as pessoas eram boas, mas não, são todas mentirosas e faltadoras à palavra. "Bem-vindo ao inferno", ele me diz, como se eu tivesse culpa das coisas que acontecem, e eu, que sou apenas uma parte da vida deste monstro, concordo e digo "Obrigado".


Deixei que jogassem o xadrez sem que rodasse a minha vez. Deixei tudo passar, esperando que parassem as lágrimas e as maldades doentias que vi acontecer. Mas não, insistiram em seu ódio, por não saber perder. Então, tomei o veneno, deixe que pulse e cubra todo o sangue circula as minhas veias. O pesadelo veio a renascer. O monstro assassinara o médico sem escrúpulos, o médico gritava em seus últimos suspiros para que todos corressem longe. Os meus cadarços já não conseguem ficar presos o suficiente para que eu não tropece mais. Eu sempre acabo tentando salvar todo mundo, e quando vejo, acabo virando um lunático naúfrago sem ninguém.


Esse texto é sobre o médico, o monstro, o vilão e a princesa. O vilão açoitara tanto o médico que ele perdera a consciência. O médico deixara o antídoto para conter o monstro, e este antídoto era o sorriso da princesa. Mas o vilão malévolo quebrara o frasco e apenas colecionava lágrimas da pobre princesa na sua parede. E então, o monstro ressurge dos sete palmos do chão, procurando vingança, ódio, e uma loucura confundida com personalidade psicopata. O monstro, ao contrário do médico, se tornou um alguém que não se importa se alguém sairá ferido. Ele só quer o corpo do vilão estirado no chão, sangrando até que ele morra.


Felicidade, calmaria, não existe mais. Está perturbado demais. A princesa chora sem parar, o monstro não faz ideia de como a consolar, ele não tem sentimentos, e apesar de saber que ela é a única que o faz tão bem, ele não é capaz de demonstrar sentimentos bons. Ele está num estágio alto de fúria, e está preparado pra matar ou morrer. Pobre médico, se ele tivesse lidado com as coisas, talvez não precisasse resolver desta maneira. O monstro sente inveja do pobre médico, saber racionalizar, ser sentimental, coisas que ele sempre quis fazer. No entanto, o monstro deixa essas coisas fúteis para sua parte humana, deixe que sua raiva o consuma. Pela primeira vez, a vontade de matar alguém e não a si mesmo nasce. E ele se entorpece em seus pensamentos, como seria tão fácil.


Contudo, aparece a imagem da princesa em sua mente. Aqueles olhos ainda o fazem pensar duas vezes antes de fazer alguma bobagem. E pensar que está apaixonado por alguém tão diferente, mas que o completa. Será que ela gostaria se o visse desta maneira, como um monstro gigantesco com sede de sangue? Provavelmente não. A princesa dizia que o médico a fazia tão bem, que gostava tanto dele. Não gostaria de ver essa raiva cozinhando numa face destruida como a dele. Cadê o médico? Precisava de um transplante de coração. Porém, o médico também precisava de um, ele fora morto.


Ele nunca quis fazer mal algum a ninguém. Ele volta ao seu ego profundo. O médico e o monstro continuam uma guerra dentro daquele pobre rapaz, mesmo sabendo que o resultado já fora decidido. O médico está ferido demais pra continuar, mal consegue sentir suas pernas. O rapaz considera se afogar em algumas mágoas gigantescas, talvez morrer seria uma boa ideia, talvez a princesa encontrasse outra pessoa para se doar. Ela é muito para o vilão,para ele e tudo mais. Se ele morresse, tudo seria mais fácil. O monstro planeja escapar de vez. E dessa vez, está ficando forte, o suficiente pra nem mesmo seus queridos pais possam o parar.


"Quer falar de ódio, raiva, emoções reprimidas? Quer brincar de inferno? Então eu sou o carrasco", diz ele com um sorriso mais do esquisito. Escreve e digita suas palavras reprimidas, tentando fazer alguém escutar seu socorro. O que ele ouve é apenas sua voz sendo ecoada naquele buraco que queima. O monstro pensa de novo o quanto deseja a princesa, mas nunca quis a machucar. Ele só queria seu antídoto, droga! Aquele sorriso que consegue tirar o preto e branco do dia, aquela voz que dá a sensação de escutar a canção favorita, aquela que tu se anima só de ouvir o primeiro acorde, a cada palavra é uma batida do coração dele, aquele rosto que ele gostaria de ter num retrato no seu quarto.


O coração está correndo como se estivesse numa corrida de vida ou morte. O pobre rapaz não é nada além de um misto de um monstro e um bobão apaixonado, uma fúria e uma calma, e isto tem realmente o matado. Deus, se consegue o enxergar de longe, ele reza pra que acabe de uma maneira que a felicidade incendeie sua casa, e que esse monstro pela última vez  tente se aprisionar de volta. As coisas tem sido difíceis, as coisas tem sido um inferno. Mas que o monstro não faça nenhuma bobagem, ele tem certeza que seria o culpado por tentar fazer justiça com as próprias mãos. Tempos difíceis.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Tecido

"In the blink of an eye
We're all gonna die
So why are we waiting for tomorrow?
Why are we drowning with our sorrows?" (M. Craft - Emily Snow)



Até que tem estado calmo esse frio imprevisível do verão. Minhas mãos tem suado o tempo todo, as luzes se enquadram num quadro que eu costumo admirar quando dá tempo. Acredite, tenho estado mais ocupado nesse ano, tenho novos estudos, novos amigos, novas histórias pra contar, novas palavras pra usar (que nada mais são do que as mesmas palavras que eu usava, só que mais bonitas), e as canções que ouço não são as mesmas desde então. Ano passado eu senti uma transição do meu ego, e eu me lembro de ter sido turista no céu e no inferno. E hoje estou aqui, no meu purgatório, talvez mais feliz do que devia, mas está tudo bem.


Fora o fato do clima estar tão estranho quanto eu, nada muito fora do normal. Confesso sentir falta da cidade, confesso sentir saudade de meu pai indo me acordar pra ir pro colégio que é bem perto da minha casa, sinto falta de ter que chamar meu melhor amigo pra ir pro colégio e nos dias de chuva ele não ia por ser preguiçoso. Merda, parece que todo esse tempo tenho atirado minhas horas pela janela, e ainda não achei um nome pro termo "ela" e as canções que escrevo vão pra algum buraco negro. Maldição, talvez eu tenha ficado fora de si por muito tempo.


A vida psicodélica me fascina, o fato de você ver tudo e ao mesmo tempo ser cego, isso é incrível. Sinto as veias saltando, sinto a minha cabeça se perdendo em alguns horizontes, não faz mal, encontro ela algum dia no meio da rua lamentando o fato de estar só. Talvez eu consiga me definir como mero problema de matemática, que talvez seja não solucionável, e as incógnitas que eu tenho nem mesmo meu ego pode dizer, alguém me descubra por favor, tem estado muito calor aqui. Amor, eu te perdoo por não existir, mas não faz isso de novo.


O que é amor? A ciência tenta definir com alguns termos esquisitos e que me deixa nauseado. Eu acredito no simples, que atitudes simplesmente são coisas instintivas que não se pode definir com palavras e bibliografias difíceis. Mas mesmo assim,  não é como se eu pudesse dizer alguma coisa, sou uma bagunça. Silencie o silêncio, deixe que as coisas fiquem como estão, para não machucar gente que não tem feridas. São as regras dos egoístas, talvez realmente não faça sentido este texto, mas para mim faz. E muito. Pode checar se você ainda existe no mundo?


Respiro fundo, deixo que as lembranças invadam minha noite esquisita, apesar de ser manhã. Está certo eu costurar minhas feridas com cascas de feridas dos outros? Provavelmente não. Deixe que a ferida fique aberta à carne viva, viva a dor, viva a lágrima, viva enquanto vive morrendo, viva até não poder mais respirar. Consegue ver a luz do poste aterrissando numa mariposa iluminando sua dor? Todos nós sabemos que você tem se machucado, mas não é como se a gente se importasse. Todos tem seus problemas, todos são egoístas, estamos conseguindo derrubar o último desafio das trevas, de sermos  desumanos.


Claramente me sinto chocado, mas já me encontro em frente de informações inúteis e volto a ser o zumbi ambulante que era. Fico questionando existências, apesar de não saber nem o sentido da minha, fico procurando problemas nos outros pra não encontrar os meus. Não somos pessoas que dão soluções, somos os que dão os problemas, somos o problema. Ah cara, eu não devia ficar enlouquecendo com tão pouca idade, desse jeito terminarei ou no manicômio ou algum lugar estranho desta cidade. Movimento os dedos, estão acostumados a apertar os botões para que formem palavras.


Tem comida estragada na geladeira do mundo, e somos 7 bilhões de universos contidos em apenas uma esfera cheia de água. O que diabos estamos fazendo, eu questiono, reclamo, grito, num quarto escuro com uma bolha gigante de silêncio, vivendo com o sabor horrível da solidão. Atravesso os corredores, encontro dois bêbados brigando por uma garrafa de bebida, reflito, "os países não são praticamente iguais à esses bêbados ferrados? A diferença que ao invés de bebida é dinheiro". Estou meio que entorpecido num vórtex infestado de sentimentos, pessoas e lembranças.


Vou até o centro, vejo as pessoas passeando pelas lojas, procurando coisas inúteis para gastar o precioso dinheiro após um árduo dia de trabalho. Ah, já nem sei mais o que passa pela minha cabeça, encho de questionamentos, depois não sei responde-los. Me faz lembrar dos meus amores antigos, sentimentos que eu acho que deixei pra lavar e bem no fim diminuiu de tamanho, como se fosse algum tipo de roupa. Sou apenas tecido de uma pele que eu deixei de usar. Sou um casco, sei lá aonde vou terminar.

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