sábado, 16 de maio de 2015

Texto Do Cara Que Não Queria Crescer

4 da manhã. As luzes da cidade cantam para que em algumas horas o sol dê as caras. Histórias sobre como foram os bravos guerreiros em sua aventura em caminhar pelas ruas escuras após a festa. Estávamos todos amarrados, estávamos todos quebrados, eu tenho que te dizer isso para que não pense que a gente tem a vida mais incrível do mundo. Eu lembro bem, meu melhor amigo tinha perdido o pai, minha namorada visitava sua mãe todos os dias no hospital por causa do câncer, e o resto estava com o coração emendado com farpas. E a gente andou por muito tempo por tantos lugares que eu nem lembro direito, estávamos apenas brincando, Cristo, por que tantas perguntas?


A gente bebeu demais, bebemos tanto para esquecer os problemas, que esquecemos as soluções também. Bom, nada importava, tudo o que a gente queria era apenas... a gente. Nos deixamos ser possuidos pelo sentimento de "distante-do-mundo" e criado um nosso. Um mundo onde só os membros poderiam entrar, como se fosse algum tipo de clube incrivelmente secreto ou algo assim. Mas na verdade aquilo era apenas nossa fábrica, onde a gente se consertava. Aquelas canções tocadas no violão eram as músicas-tema de nossas vidas. Aquilo era nosso. Tudo era nosso. Tudo era a gente.


Oh, Deus, eu posso jurar que eu queria parar o tempo. Eu adorava aquilo, adorava abraçar eles, adorava tudo o que eu via naquela madrugada. As piadas eram mais engraçadas do que costumavam ser, e quando a melancolia batia, eu suportava. Eu suportava porque não estava sozinho. Ela não era espantada, mas também não era "persona non grata", a gente simplesmente sabia como lidar com ela. Como é mesmo aquela coisa que bate quando você sente acolhida, um calor gostoso, e prazer em estar em determinado lugar? Ah é, alguma coisa com "amor".


E eu estava com ela. Eu até dancei no meio da rua com ela, e ela simplesmente riu daquilo e me acompanhou. Mesmo que passassem os carros, mesmo que os postes iluminassem bem a gente fazendo aquela coisa ridícula, ninguém se importava. Nossos amigos nos acompanharam, alguns fizeram pares e dançaram também, outros cantavam "Wonderful Tonight" imitando Eric Clapton no microfone como se fossem uma banda, fazendo que fôssemos um bando de loucos felizes. Ela disse "eu te amo" e me beijou, e eu correspondi. Foi naquela noite a última vez que eu a vi sorrir. Foi a última vez que aqueles olhos verdes foram meus.


E de repente, tudo desandou. Os planos que passei tanto tempo planejando se tornaram de outros. Primeiro, as brigas começaram. O mundo começou a implodir, amigos brigando uns com os outros, mentiras, desconfiança, raiva. E assim, vagarosamente, foi diminuindo o número de pessoas que caminhavam juntas depois da aula. Antes, éramos um time de futebol. Depois, um de handball. E depois, quando eu vi, já estávamos iguais aos três mosqueteiros. Nunca vi uma dissolução tão rápida em minha vida, nem percebi quando as coisas estavam ruins. Eu me arrependo de não ter feito algo quando eu podia.


O tempo passou. Com isso, chegou a faculdade, os trabalhos, e outras responsabilidades. O tempo para a gente se encontrar diminuiu muito. Os assuntos que a gente costumava inventar em questão de segundos, foram tomados pelo silêncio. A gente não conseguia mais conversar, e as conversas restantes eram tão superficiais e banais, como se fôssemos um bando de estranhos escolhidos aleatoriamente para estar juntos, eu deixei de reconhecer eles. Sem querer, eu os perdi pro mundo. E eu jurava que a gente não ia perder, até chegar os 45 do segundo tempo e tomar um chute da vida. Droga. Droga. Droga.


Depois, quem foi embora foi ela. As brigas que eram a cada um ano, se tornaram em meses, e de meses, semanas. O amor nunca morreu, porque eu costumo dizer que o que a gente tinha era de um "amor zumbi". Mas ela não suportava mais, e eu fazia o máximo para não chegar em casa mais cedo. Queria permanecer longe dela o quanto eu pudesse, constantemente desligando o celular e demorando pra responder as mensagens. E ela, ah, ela fez o possível para salvar a gente. Teve uma hora que ela desistiu. Ela veio até em casa. Disse "oi" para meus pais de forma mais natural possível, e me abraçou chorando. Disse a palavra "desculpa" umas dez vezes, e depois um "adeus". A porta ficou aberta até ás 3 da manhã aquele dia.


E por fim, quem foi embora de mim foi eu. Eu perdi a vontade de fazer as coisas, eu perdi os momentos de felicidade e as coisas como elas são. Eu deixei tanta coisa para trás, e quando as pessoas mais importantes da minha vida foram embora, eu deixei tanta coisa para frente também. Os retratos estão empoeirados, as canções eu costumo cantar pra me lembrar. O que eu posso fazer? Digo, eu não tenho muita escolha. Eu só posso seguir adiante. Eu só posso tentar de novo e de novo, porque se eu não fizer isso, ninguém vai. Eu só não posso fazer isso agora, me desculpe, tente outra hora. Eu sinto saudade, caras. Muita.




****Esse texto não é verídico, porém, me baseei muito nos meus amigos. :/

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sinto Muito

"Eu procurei
Jurei que não iria mais falar de mim
E o que eu achei
Que eu tinha tanta história pra contar" (Fresno - Relato De Um Homem De Bom Coração)



É, eu jurei que nunca mais iria fazer textos depressivos e tal, mas acabei mudando de ideia. Achei que a ideia de não poder dizer exatamente o que eu queria dizer era uma algo forçado demais. Vez ou outra eu acabarei desabafando por aqui mesmo, pelo simples fato que minha cruz é zoada demais para eu carregar sem gritar. Bom, vamos lá. Eu nunca me vi de tal forma, eu juro. Eu nunca me vi como se eu precisasse de ajuda, quer dizer, eu nunca dei muita moral para mim mesmo e meu ego, sempre priorizei a dor alheia e de como as feridas dos outros estavam abertas. E é nessas horas, que essas malditas feridas gostam de duplicar o tamanho.


De alguma forma, acabei criando um campo de força, uma maneira de eu caminhar sem eu estar sendo açoitado com palavras e atitudes, eu carinhosamente chamo isso de "piloto automático". É a maneira que consigo acordar, trabalhar, estudar, conversar, e ainda digitar coisas para os meus amigos sem mesmo pensar de maneira concreta. Faz muito tempo que eu não sei o que é "deixar no manual", me levar, sem ter medo de alguém me ferrar. Acho que perdi minha capacidade de acreditar nas pessoas por completo, a ponto de deixar meu coração aberto. Acredito que nem mesmo meus pais adentraram neste campo. Não é como se eu me importasse também. Tá ótimo assim. Tudo tá bem.


Tá bem o caralho. O caminho que eu escolhi é ruim, esquisito e sem trilhas certas. Meus passos estão em uma corda bamba, e parece que logo vou perder o equilíbrio. "Eu preciso correr, desculpa", foi o que todos disseram antes de sair daqui. E eu não acompanhei, digo, nunca acompanhei. Sempre vi esse negócio de apressar as coisas de modo ruim, como se não pudesse ser aproveitado as coisas de maneira correta. Apesar de eu ser um pouco afobado, acabo sempre cedendo à música melancólica e a solidão, e vejo as pessoas no horizonte me acenando ao longe. A beleza da vida é quando você sabe o que é sentir algo, mesmo estando incompleto.


Eu senti. Muitas vezes, foi o que eu disse para mim mesmo. "Sinto muito". A pena que tenho de mim mesmo é extraordinariamente grande. É esquisita a sensação que tenho dentro de mim, como se eu tivesse duas partes de mim mesmo, nos quais intercalam minhas atitudes. Talvez seja essas as partes que dividem o controle de mim, "automática" e "manual". Provavelmente a parte automática seja mais forte, por isso sempre suporta as dores que eu tenho e consegue fazer piadinhas ruins mesmo sabendo que são só para disfarçar a raiva e a melancolia que tem por dentro de si mesmo. É frio, mas acho que dá para aguentar, não é como se o frio fosse a pior coisa que já enfrentei.


Eu tive muitas oportunidades de ter o meu mundo na minha mão, mas deixei para lá. Ele se tornou tão descartável, tão inóspito que eu sempre deixei nas mãos do cara que faz tudo no automático, parece que ele é a pessoa mais confiável para deixar a administração do meu coração. Sei lá, coisas como gostar das pessoas, se envolver com outras, não parece algo que eu posso deixar acontecer dentro de minha parte frágil. Não mais. Chega de deixar as coisas acabarem comigo de qualquer jeito, sem nem mesmo um pingo de misericórdia. Ninguém vai mais entrar no meu campo de força, ninguém mais vai ter liberdade em mim mesmo.


Nunca pensei que meus textos faltariam palavras para expressar exatamente como me sinto. Talvez seja isso que é crescer. Talvez seja isso que disseram que seria a vida quando você era moleque, você se torna meramente um nada com alguns órgãos e pele com a habilidade de falar. Eu nunca quis que as coisas fossem assim, mas o que posso fazer, me diz? Desculpa. Mas meus sorrisos já não sabem mais como ser sinceros, meus olhares perderam a habilidade de derramar lágrimas e meus braços perderam a mania de carregar a dor. O mundo não pertence mais ao meu mundo. E as pessoas não pertencem a mim mesmo. Eu não vivo mais por mim. Eu não vivo mais.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Diários Estranhos De Lita #3




Estamos todos escrachados, de maneira geralizada. Esta frase parece esquisita vindo de primeira sem contexto algum, mas acho que logo você vai me entender. E sim, é a Lita. Eu achei engraçado que o fato de que eu escrevo textos que ninguém lê, e ao mesmo tempo, parece que eu consigo algum feedback sobre tudo isso. Eu só me meto em confusão, devo ser um ìmã para essas coisas. Enfim, como eu estava dizendo, estamos todos escrachados, esculhambados, numa tremenda bagunça que parece que deram uma festa dentro da gente, derrubaram todos os nossos objetos importantes e saíram sem apagar a luz. E a gente termina assim, observando de maneira panorâmica, tudo o que acabou de ser feito com você mesma.


Mas também seria lógico que iriam acabar comigo, meu coração é o local mais inóspito possível, tanto que poucos conseguiram chegar até lá. Não que eu seja fria, ou mesmo insensível, eu só não acho que eu devo deixar minha porta sem cadeado. É sério. E quando você tira o cadeado, você pergunta. Eu não tiro, as pessoas simplesmente entram e saem, arrombam minhas portas, quebram as janelas e não me avisam quando vão embora. Eu não ligo de sair daqui, tô nem aí, mas porra, pelo menos vê se deixa um aviso prévio para eu comprar outro cadeado. Odeio termos indeterminados, ou contratos sendo quebrados.


E nem citei que tipo de relacionamento estou citando. Todos. Nossa, isso me faz pensar quanta gente já foi embora e nunca mais vi o sorriso e/ou choro dessa pessoa. O que posso fazer se eu sou boa nesse negócio de escutar os outros? Não que eu manje, mas é que eu sou preguiçosa demais para tagarelar que nem uma matraca e tudo o que pensa sai pela boca. E assim, as pessoas pensam que eu estou criando aberturas para elas desabafarem, e maldita educação que recebi de meus pais. Me faz pensar que se eu cobrasse por cada vez que ouvi os problemas dos outros, eu estaria numa vida confortável agora.


Intencionalmente, eu atravessei a linha de sanidade. Sei lá, ser louca me deixa entorpecida em relação aos meus problemas. Eu não preciso mais ter motivo para simplesmente gritar o mais alto que eu puder no meu quarto, porque afinal, é o meu quarto. Acredito na ideia de que a solidão é algo como uma parede, sólida, e toda vez que você se sente mal, você adiciona mais concreto nessa parede. E como enlouquecer é meu hobby, eu não tenho tido esse problema, mas era ruim em outros tempos. E o que eu fiz para resolver? Eu soquei essa parede. Eu soquei essa massa que me apertava e fazia eu me sentir terrível, e me fez perceber que eu não sou uma garota frágil, eu sou a garota que eu quiser. E isso inclui ser uma heroína ou uma vilã, a médica e a louca. Ou seja, para alguém lidar comigo direito, terá que aprender quatro maneiras diferentes de lidar com meu sorriso. 


É isso por hoje, tenho umas coisas para fazer amanhã, tipo bater na minha amiga de novo e dizer pela sexta vez na semana que é para ela parar de ser retardada e deixar de escutar os pais o tempo todo. Sério. A única diferença entre a gente e os nossos pais é que eles são mais velhos e fizeram a gente. Mas continuam sendo humanos com falhas e erros. Então se você acredita em algo que seus pais não acreditam, manda à merda. Bom, vou para minha cama, até mais leitores imaginários.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Flor Em Chamas

E pensar que eu iria escrever uma poesia
Sem qualquer traço de rima
Sem qualquer padrão 
Melhor, logo eu escrever de tal forma?

Encaixando meus padrões com o silêncio da voz
Os gritos desesperados da minha mente
E a expressão confusa das minhas palavras 
Faz com que você me veja de tal forma desprezível

Um conto de fadas iniciado em uma lata de lixo
Me lembro de ter visto como seus olhos são as peças restantes do céu
E eu lá, parado no meio de restos do meu quarto
Querendo que eu fosse alguma nuvem para te observar de perto

A única música que toca pra gente dançar, quer dizer, utopicamente falando
Seriam as sirenes da ambulância, o grito do policial, a euforia da multidão
E mesmo eu estando infestado de gente ao meu redor, só consigo ver nós dois como casos isolados
Talvez eu te perceba como um detalhe microscópico, como se fosse uma parte descuidada do mundo

Esperando o próximo ônibus passar, cogitando trocar de novo os fones de ouvido
Estão como tantos outros que eu comprei, com o som de apenas um lado, irritantemente
Eu observo como as pessoas ficam tão próximas da cor acinzentada, como se estivessem apagadas
E é só você amarrar seus tênis vermelhos, que as pessoas desaparecem, como se não aguentassem tamanho brilho

Se eu soubesse que iria escrever trechos tão compridos, eu teria colocado em formato de texto
Mas não ligo muito pra isso, pelo menos aqui não existem restrições
Enfim, como eu dizia, você não precisa fazer muita coisa para ser uma parte estranha do mundo
Você só precisa existir... E bom, eu adoro isso

Meu quarto parece estranhamente bagunçado
E o mais estranho ainda, eu prefiro assim
Talvez seja porque eu consiga me localizar
E mesmo assim, é tão... abandonável

Assim como eu mesmo, como se fosse algum resto podre da casa
Adorável solidão, considere que eu sou jovem demais para me sentir assim
Por que não a deixa vir aqui me salvar, por que não posso deixar a janela aberta?
Odeio suas preocupações estúpidas e inquietantes, como se você entendesse alguma coisa de dor

Tá, você pode até entender, porque afinal você é parte de mim
Chega de falar de como a solidão é irritante, vamos falar daquele pedaço de céu que vi passar
Eu me senti morto várias vezes, me senti apagado como se não tivesse mais lugar
E então, com uma piada tosca, ela me fez rir, e não foram poucas vezes

Aquela sensação esquisita de ter para quem ligar, além dos seus parentes
Aquela outra sensação esquisita de não compreender o que pensa sobre determinada pessoa
E além disso, aquela questão de vida ou morte de mandar pelo menos um "oi"
Como se toda a sua história ou destino dependesse da resposta

De qualquer forma, isso ainda não é o suficiente
Ainda acordo pensando em querer morrer, ainda acordo pensando com curiosidade sobre a pós-vida
Eu tenho a necessidade de um abraço e um beijo, aqueles que dizem sem querer que te apoia
E bom, atualmente tudo o que eu tenho é um violão e um blog que algumas pessoas leem

Eu a entreguei uma flor, uma flor incomum
Onde ela queima toda vez que a vê
Ela estranhou,é que eu não disse pra ela o significado
Ela queima toda vez que ela me diz não

E bom, algumas pétalas já foram, quero ver se ela vai conservar a flor ou não
Se vai deixar as pétalas queimarem como cinzas, ou se vai transformá-la como uma rosa de verdade
O que posso fazer se carrego em minhas mãos um papel e uma caneta
E um coração aberto feito de pano, e outras besteiras que a gente nem sabe o que é

Como eu vinha dizendo, meu quarto é meu único espaço do mundo
O resto do mundo, é apenas uns cômodos incômodos que atrapalham minha jornada
E espalhando minhas lágrimas para irrigar o plantio, vou deixando partes de mim como espelhos
Para que alguém, algum dia, consiga ver parte de tudo o que eu vejo

E nessa gigantesca poesia que proclamo meus problemas, como se isso resolvesse alguma coisa,
Encaixo suavemente uma mensagem subliminar com a esperança que me digam aonde ela está
E que também me mostrem as regras de etiqueta, para eu ter uma ideia do que dizer quando ela estiver por perto
Porque eu sinto que de alguma maneira, ela ficou tão próxima de mim, como átomos, e explodimos
Como se a gente fosse dois universos colidindo, e subitamente, desaparecendo

E assim, sinto como se eu fosse novamente desaparecer, como se eu fosse feito de pó, feito pra acabar
De alguma forma eu adoraria saber o que ela pensa de mim, e não adianta perguntar, ela desvia o assunto
Eu crio expectativas tão rápido quanto elas são frustradas, do mesmo jeito que eu coloco no papel
O que dessa vez rima, o que desta vez é, um punhado de palavras apagadas
Enquanto fecho com meu punho a parte mentirosa do céu

.